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Sarita está do lado de fora. À espera. Como sempre. Sarita espera desde sempre o seu par, dizem que eu não sei, que se encantou por uma americana que um dia veio conhecer a milonga e com ela partiu, deixando Sarita noiva e viúva.
Todos se apiedam de Sarita mas nenhum a tira para o tango.
Nem eu. Sei que perdería Adélia para sempre nesse dia.
Sarita fica do lado de fora como uma estátua que admiramos, cumprimentamo-la, mas ela nem nos vê, olha a noite vermelha de sorriso nos lábios.
Tenho a certeza que o que lhe tinge a boca não é baton, é sangue de desespero.
A orquestra toca e ela lá fora.