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Todos nos olham. Estamos no disparo das bocas, do perfume das rosas, do aperto do bandoneon.
Talvez achassem que não nos voltaríam a ver na milonga, mais certo amortalhados na cegueira de um amor que se ateou num gesto e se encantou para a vida. E para a morte. Que desta já não há temor a não ser por Ele que nos guia e guarda neste tango maior de passos imprevistos e improvisados no bater descompassado do coração.
Amarilïs está mais linda que nunca, vai-lhe bem o ser mulher.
La Cumparsita por favor. A minha mulher rende-se gemida ao toque nas minhas pernas e sob a palma da minha mão arpejo-lhe as costas nuas que troçam do macio do cetim negro que enverga.
Se isto não é ser dono do mundo então nada mereço, Baron que cumpra o destino.
Por agora todos nos olham e deixam o mel do chão para quem sabe do tango.