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Do desencanto faz-se o encanto e deste toca-se o tango e no seu canto encantam-se os tangueros e as tangueras no salão maior da vida.
Há bandoneon e beijos. Dados no escuro do fole que se cola como bocas que se querem no extremo do desejo, do ciúme, do despeito. Depois há as mulheres. E há as rosas. E os vestidos macios que podem ser feitos de pétalas e as meias de espinhos traiçoeiros. Ou o sapato alteado na estreante da milonga. Tudo depende da mão do homem, da cintura da tanguera, do génio do tocador.
Esqueçamos tudo e encantemo-nos.
Até a ferida tem outra cor à luz do tango.