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A milonga mudou-se para a rua, bem perto das portas abertas para tanta alegria.
Bernardino molhava de alfazema o suor do rosto, do cabelo, dos olhos de amor que se alagavam por ter nos braços a sua mulher.
O bandoneon chegou para brilhar à luz da lua e apertado nas mãos quentes chorou por eles. Contou a fuga e o mistério, a saudade e a viuvez, o Tango faz-se para amar, lutar e morrer mas sempre nos braços de quem se quer.
E quando o fole gemido na doçura das mãos se amarrotou e abriu, voltámos todos ao salão onde as rosas enamoradas num milagre, desabrocharam como se a noite só ali começara.